quinta-feira, 4 de junho de 2009

Onça pintada de quatro anos de idade que estava ameaçada pelas cheias na região amazônica foi resgatada



Arquivo: Revista Viagem e Turismo

Uma onça-pintada de aproximadamente quatro anos de idade que estava ameaçada pelas cheias na região amazônica foi resgatada de uma comunidade ribeirinha na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas.

A fêmea, apelidada de Janaína, era mantida em uma jaula que, devido ao período de cheias na região, estava alagada. A situação fez com que as patas do animal ficassem bastante feridas.

A onça foi entregue ao Ibama pelos antigos donos no último dia 31 de maio. O animal foi então levado para a 16ª Brigada de Infantaria de Selva do Exército, na cidade de Tefé, onde ficará em tratamento pelos próximos dez dias.
Depois de recuperado, o animal seguirá de barco para Manaus, em uma viagem que dura aproximadamente 48 horas. De lá, será transferido para Brasília e encaminhado a um zoológico em Uberlândia, Minas Gerais.

Cativeiro

A onça-pintada foi capturada e criada, desde filhote, em uma pequena jaula de madeira por um morador da comunidade Bate Papo, na Reserva Mamirauá.

Quando o criador da onça morreu, em agosto de 2008, seu pai decidiu entregá-la ao Ibama, devido ao comportamento agressivo do animal.

Segundo o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que é cogestor da reserva, a alimentação do animal no cativeiro era composta basicamente por peixes. Em seu habitat natural, a onça se alimenta normalmente de mamíferos de médio e grande porte, aves e répteis.

Em janeiro deste ano, uma onça parda que vivia em cativeiro já havia sido entregue a pesquisadores do instituto. Apelidada de Euzébia, ela foi encaminhada ao zoológico municipal Sargento Prata, em Fortaleza, Ceará. Segundo os técnicos, animais criados em cativeiro dificilmente podem ser reintegrados ao seu habitat original.

"Não é impossível, mas seriam necessários investimentos e esforços por, pelo menos, cinco anos, considerando que um animal dessa espécie vive até 12 anos em cativeiro", disse Maria Carolina Ramos, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, à BBC Brasil.

domingo, 24 de maio de 2009

Governo vai regularizar na Amazônia área igual à França

O governo federal vai transferir 13% de terras da União localizadas na Amazônia Legal. São 674 mil quilômetros quadrados - praticamente uma área igual a da França. Pelo menos metade dessa área, 340 mil km2, vai para particulares, apesar de o governo não saber quem a ocupa nem se essa ocupação foi pacífica ou de má-fé. Os outros 334 km2 (área maior do que a Polônia) estão divididos oficialmente em 196 mil posses registradas no Incra, das quais cerca de 10% apenas são legais. Mas o próprio governo acredita que esse número é muito maior. “Achamos que vamos a 300 mil posses”, diz Carlos Guedes de Guedes, coordenador do programa Terra Legal, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

O Terra Legal é a divisão do MDA responsável por colocar em prática um dos textos mais polêmicos em discussão hoje no Congresso: a Medida Provisória 458/2009, que dispõe sobre a regularização fundiária da Amazônia Legal. A indefinição sobre quantas posses há na região é apenas uma de suas facetas problemáticas. Ambientalistas e grupos sociais a apelidaram de “MP da grilagem”.

Em vigor desde fevereiro, a MP sofreu na semana passada uma série de modificações na Câmara que facilitam o processo para o posseiro tornar-se proprietário da terra que cobiça. O texto está no Senado, onde a relatora será a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Para ambientalistas, as modificações no texto não cumprem a função social da posse prevista na Constituição - a de beneficiar quem precisa da terra para sobreviver - e vão premiar invasores que usaram violência. “Esse não é um mercado em que todo mundo age de boa-fé. É o contrário. Há artimanhas clássicas como a fraude de documentos e o uso de laranjas”, diz o advogado Raul do Valle, do Instituto Socioambiental (ISA). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: AE

sábado, 2 de maio de 2009

Madeireiros e traficantes frequentam área de reserva para negociar com etnia

JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha, em Belém

Primeira etnia do Pará a ter uma área reservada para si, ainda na década de 1940, os tembés têm hoje um dos territórios mais ameaçados do Estado, de acordo com a Funai (Fundação Nacional do Índio).

A Terra Indígena Alto Rio Guamá, no nordeste do Estado, foi homologada em 1993. Mas em 1945, quando o modelo jurídico da homologação ainda não tinha sido criado, o interventor federal Magalhães Barata "demarcou" a área para o grupo.

Hoje, a terra é invadida por grileiros, madeireiros, posseiros e traficantes, que plantam maconha lá. Em abril, 2.500 pés da planta foram destruídos pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Em fevereiro de 2008, invasores chegaram a tomar índios como reféns, depois foram presos. Os posseiros reivindicavam áreas dentro da reserva.

Para Juscelino Bessa, administrador da Funai em Belém (PA), os tembés estão sucumbindo às dificuldades e negociando com madeireiros toras retiradas ilegalmente. "Vendem quase de graça."

Valdeci Tembé, um dos líderes da etnia, concorda. "Isso [madeira] não dá quase nada. Vamos ver se o contrato dá certo. A ideia é essa."

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ciência e democracia na Amazônia

Atualmente, a Amazônia está sob três tipos de atuações humanas: daqueles que a exploram, degradando as suas propriedades naturais; daqueles que a consideram intocável e, por fim, daqueles que acreditam que é possível estabelecer uma relação socioambiental harmoniosa. Porém nada ainda evitou que milhares de hectares da floresta desapareçam em cinzas todos os dias

Alain Ruellan

(13/03/2009)

A Amazônia florestal e rural se submete atualmente a três dinâmicas antagônicas, cada uma das quais é apoiada por pontos de vista científicos, independentes entre si.

1- A primeira pode ser qualificada de violenta por se tratar da destruição dos ecossistemas naturais, que são arrancados e queimados. Em seu lugar aparece uma agricultura de subsistência, em pequenas superfícies ou criação de gados e agricultura produtivista, com traços nítidos de mineração e, em geral sobre imensas superfícies adquiridas de maneira frequentemente ilegal.

Há uma pesquisa agronômica, pública e privada, nacional e internacional, que se relaciona com essa dinâmica violenta. Alguns pesquisadores apóiam os mais ricos desses agricultores/criadores que são os atores dessa destruição. Em contrapartida, há outros pesquisadores que apóiam os pequenos produtores para ajudá-los no melhor aproveitamento das terras desmatadas e, assim, frear a dinâmica do desmatamento.

Uma questão: como é que se fazem estas escolhas de colocar as suas competências científicas para uns ou para os outros? Onde acontece o debate e quem decide?

Devemos acrescentar que essa dinâmica violenta é frequentemente justificada pela exploração dos recursos hidráulicos e minerais. São os cientistas que descobrem esses recursos e que propõem as condições de sua exploração. É claro que, nesse momento, o debate democrático costuma fazer falta.

2- Uma segunda dinâmica é aquela da reserva total em grandes superfícies: qualquer nova ocupação humana é proibida ... salvo a dos eco turistas!!!

O objetivo é conservar, proteger recursos, principalmente ecossistemas; e também contribuir a proteger as funções desempenhadas pelos ecosistemas, principalmente as funções biológicas e climáticas. Portanto, trata-se de se dar tempo para conhecer e para entender.

Para a pesquisa científica, as reservas são verdadeira graça divina: em seu interior, é possível realizar tranquilo todas as observações e medidas que permitem entender os funcionamentos naturais e também as relações que existem entre os meios e as sociedades humanas pouco numerosas que lá vivem.

A pesquisa científica, em geral, desempenha também um papel importante para ajudar a delimitar os "parques" e para associar as populações a essa delimitação.

3- Enfim, uma terceira dinâmica, que pode ser chamada de desenvolvimento sustentável, começa a criar raízes: é a dinâmica daqueles que fazem a escolha de ocupar a floresta para viver dela e, assim, protegê-la. É o que ocorre nas reservas chamadas de "extrativistas", nas quais as populações vivem dos recursos biológicos renováveis. É a dinâmica pela qual Chico Mendes brigou e foi assassinado por aqueles que pertenciam à dinâmica violenta; é a dinâmica do PDSA no Amapá - o programa de desenvolvimento sustentável realizado pelo governador João Alberto Capiberibe de 1995 a 2002 - e é também, há cerca de dez anos, a escolha do estado do Acre sob a autoridade dos governadores Jorge Viana e Binho Marques.

A pesquisa científica não está ausente dessa terceira dinâmica, mas é bom refletir sobre as razões de uma presença mais fraca do que nas duas outras. Será o caráter, por assim dizer, mais utópico dessa terceira dinâmica que explica a prudência dos pesquisadores com relação a ela? Ou será que o temor nasce do fato de que o sucesso científico, neste caso, depende de uma relação mais estreita entre pesquisadores e gente do povo?

Atualmente as três dinâmicas disputam uma verdadeira corrida. Durante esses últimos vinte anos, é a destruição violenta, a substituição da floresta pelo gado e pela agricultura produtivista (soja, cana etc), que ganhou e continua a ganhar esta corrida. Apesar da queda recente na taxa de destruição, a destruição anual de 11 mil quilômetros quadrados de floresta natural não pode ser considerada como resultado satisfatório. Destruir a floresta é a solução de facilidade. É a solução economicamente mais interessante a muito curto prazo. Isso porque não se contabilizam, nos custos de produção, as enormes perdas devidas à destruição definitiva das riquezas biológicas e dos solos. Um dia vai ser necessário de pagar por esta destruição e a conta será muito alta!

Em suma, há três dinâmicas em relação às quais o meio científico está presente, mas não se forma unificada: os especialistas se dividem sob o ângulo científico e do ponto de vista político; e isso quer dizer, é claro, que a pesquisa científica, na Amazônia como noutros lugares, não é neutra: ela é influenciável e fortemente influenciada.

Então, algumas questões:

- Escolhas políticas foram feitas e anunciadas pelo Presidente Lula com relação à Amazônia brasileira. Desde 2003, a escolha oficial consiste em apoiar a dinâmica de constituição de reservas e a dinâmica do extrativismo sustentável, ou seja, interromper o desmatamento. É uma boa escolha, mas que suscita duas perguntas óbvias: como esta decisão foi construída e como ela é hoje concretizada? Qual foi o papel da pesquisa, qual foi o papel da relação ciência/sociedade na sua elaboração? Esse papel da pesquisa foi limitado. Isso é um dos fatores que limita severamente a concretização da própria escolha. A ausência de preparo e de acompanhamento democrático constitui uma pesada deficiência.

- A partir disso, de uma maneira mais geral, uma questão importante é como e onde se fazem as escolhas de prioridade científica e as escolhas de procedimento científico. Por exemplo, como e onde se fazem as escolhas quanto às prioridades agronômicas: agricultura em terras desmatadas ou agro floresta nas reservas extrativistas ?

- Onde acontecem os debates democráticos que deveriam associar, no momento da realização das pesquisas, os meios científicos aos meios políticos, mas também os meios científicos diretamente às populações? A iniciativa recente de organizar um fórum permanente "ciência e tecnologia na Amazônia", que reúne os principais responsáveis políticos e científicos da região, é importante, mas insuficiente se as populações não puderem entrar efetivamente em cena.

A pesquisa sobre a Amazônia é, de fato, muito dispersa e muito individualista. E, além disso, ela é, em grande parte, realizada por pessoas que não moram na Amazônia, não vivem no dia a dia da Amazônia, nem vivem no Brasil: isso não facilita as relações entre pesquisa e sociedade e não facilita os debates de programação nacional e internacional.

Então, será que a programação científica não é deixada excessivamente nas mãos dos pesquisadores e dos políticos que tomam as decisões quanto aos financiamentos?

Um exemplo para ilustrar: Brasil e França assinaram, há pouco, um pouco às escondidas, um acordo importante de cooperação científica, cujo objetivo é o conhecimento e a exploração dos recursos biológicos da Amazônia. Qual a participação dos pesquisadores e das populações locais – que não querem que a pilhagem de seus recursos persista – neste acordo? Esse acordo pode ajudar a construir o desenvolvimento sustentável, mas com a condição de que as populações sejam claramente envolvidas, responsabilizadas. "O cupuaçu é nosso", gritam, cada vez mais, as multidões da Amazônia. Elas têm razão.

Quero concluir dizendo que não se deve subestimar a importância das forças democráticas e experimentais que existem na Amazônia. A Amazônia já constitui um grande laboratório de experimentação de procedimentos democráticos a serviço do bem-estar das sociedades humanas: é necessário dispor do tempo necessário para conhecer e valorizar essas experimentações. Já se sabe muito sobre os meios e sobre as sociedades da Amazônia. Muitas experiências de estratégias de "desenvolvimento sustentável" já foram realizadas e muitas estão acontecendo agora. O que devemos fazer para que estes conhecimentos sejam utilizados sem mais atraso?


Fórum

domingo, 29 de março de 2009

Amazônia é menos protegida no Brasil

CLAUDIO ANGELO
Editor de Ciência da Folha de S.Paulo

O Brasil é um dos países que têm proporcionalmente menos territórios indígenas e áreas protegidas na Amazônia, segundo mapa que será publicado nesta semana por uma rede de 11 ONGs sul-americanas.

São 39,6% da Amazônia brasileira sob proteção na forma de terras indígenas e unidades de conservação de vários tipos, contra 56% da Amazônia colombiana, 79,7% da equatoriana e 71,5% da venezuelana. Somente o Peru destina uma proporção menor de sua selva às reservas florestais e às comunidades indígenas: 34,9%.

O mapa, produzido pela Raisg (Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada), é o primeiro a localizar as áreas protegidas e os territórios indígenas dos nove países amazônicos.

Considerando só este último quesito, o Brasil também fica atrás dos vizinhos: 50,6% da Amazônia colombiana, 25,7% da boliviana e 65% da equatoriana são indígenas.

Em números absolutos não há como comparar a extensão dessas terras com a fatia proporcionalmente menor sob proteção no Brasil --país que tem 64,3% da Amazônia. "Dos 3,2 milhões de quilômetros quadrados de áreas protegidas na Amazônia, 1,9 milhão estão no Brasil", diz o antropólogo Beto Ricardo, do ISA (Instituto Socioambiental), que coordenou a montagem do mapa.

Porém, o trabalho revela que alguns países da região têm mantido a sua porção amazônica razoavelmente protegida, o que, em alguns casos, significa uma proporção grande do território nacional.

Na Colômbia, por exemplo, toda a Amazônia (que representa 43,3% do país) é considerada "reserva florestal" -embora apenas 13% estejam efetivamente em áreas protegidas. São 240 mil quilômetros quadrados em terras indígenas.

A situação do Equador é ainda mais simbólica. As terras indígenas amazônicas reconhecidas pelo governo correspondem a 30% da área do país. No Brasil, todas as terras indígenas, somadas, respondem por 13% da área nacional, número que o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) já disse considerar alto demais.

"No Equador, o processo de reconhecimento oficial de territórios indígenas na Amazônia é menos burocrático que no Brasil", diz Beto Ricardo. "A região é praticamente toda ocupada por povos indígenas e, ao reconhecer seus direitos, o governo já excluiu as propriedades privadas existentes."

Em outros países, como a Venezuela, o processo de demarcação das terras indígenas é mais atrasado. O governo venezuelano não reconhece as terras (nem mesmo a ianomâmi, demarcada e homologada desde os anos 1990 no lado brasileiro), denominando-as "zonas de ocupação indígena", sobrepostas a parques nacionais.

Como resultado, não existem dados oficiais sobre as terras indígenas no país, que acabam sob proteção menor. "O único mapa disponível era o do serviço de saúde indígena", diz Alicia Rolla, especialista em sensoriamento remoto do ISA.

A Amazônia é nossa

A melhor notícia do mapa é que, mesmo com 33 milhões de habitantes e 370 povos indígenas distribuídos por nove países com perfis econômicos diversos, a Amazônia possui 41,2% dos seus 7,8 milhões de quilômetros quadrados sob algum tipo de proteção.

Mesmo assim, 17% da floresta já tombou em toda a região, e ainda não existe um diagnóstico do que está acontecendo dentro de cada área protegida.

Na fronteira do Brasil com o Peru, por exemplo, há ação de madeireiros do lado peruano, apesar de haver um mosaico contínuo de áreas protegidas de ambos os lados. No Equador, empresas de petróleo (como a Petrobras) atuam em áreas indígenas e parques nacionais.

Segundo Ricardo, o mapeamento deverá ajudar a criar estratégias de conservação transfronteiriças. E ajuda a visualizar o impacto que decisões tomadas em um país podem ter sobre a floresta e as populações indígenas do vizinho.

"Esse mapa é uma contribuição para o ressignificado da expressão tão comum em cada país amazônico de que "a Amazônia é nossa". Afinal, não adianta, por exemplo, o Brasil proteger ou explorar os cursos médios das grandes bacias amazônicas sob o império da soberania nacional se as cabeceiras desses mesmos rios estão em países vizinhos."

O mapa poderá ser obtido a partir desta sexta-feira na internet (www.raisg.socioambiental.org).

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Fórum 71: Qual é o outro mundo possível? (Revista Fórum)

[Sexta-Feira, 20 de Fevereiro de 2009 às 11:11hs]

A edição de fevereiro de Revista Fórum traz 18 páginas de cobertura do Fórum Social Mundial 2009, realizado em Belém (PA). Os principais desafios colocados ao movimento que luta por outro mundo possível, os rumos do evento e os resultados da edição em território amazônico são discutidos na edição que chega nesta semana às bancas de todo país.

Um dos destaques é a participação de indígenas e quilombolas no evento. Outras reportagens abordam a presença de cinco presidentes sulamericanos no FSM, a relação com a cidade de Belém e seus bairros periféricos e a questão da comunicação. Uma entrevista com o cientista político filipino Walden Bello e as articulações dos movimentos negro, de mulheres e de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros (LGBT) completam a cobertura.

Outras notícias
Além da cobertura do FSM, a edição de fevereiro traz um ensaio de Frei Betto sobre os 100 anos de dom Helder Câmara, completados no dia 2 de fevereiro. As comemorações e reflexões dos 50 anos da revolução cubana são tema de reportagem assinada por Brunna Rosa, de Havana.

A imigração de bolivianos para a cidade de São Paulo é pano de fundo da matéria sobre a Kantuta, feira de bolivianos radicados na cidade, atualmente 100 mil pessoas. A queda nos preços de materiais recicláveis também é destaque.

Novo colunista
A edição 71 da Fórum também traz a estreia de Idelber Avelar como articulista. O autor do blogue O Biscoito Fino e a Massa (www.idelberavelar.com) passa a assinar a coluna “Outro Olhar”, para discutir aspectos não-abordados pela mídia convencional. Avelar já havia assinado um artigo na revista na edição de julho de 2008, sobre a candidatura de Barack Obama. Em sua primeira contribuição como colunista, o tema é a ação militar o exército israelense na Faixa de Gaza que resultou em 1.300 mortes de palestinos.

Os ataques a Gaza são tema de entrevista com o europarlamentar português Miguel Portas. Em visita aos locais atacados, ele narra o horror deixado pela ocupação. “Bastava que EUA e Alemanha dissessem 'meus amigos, acabou, fecharam-se as torneiras' e em 48 horas isso se resolvia. Esse é ponto. Por que raios a comunidade internacional tem que estar do lado do mais forte?”, lamenta.

sábado, 2 de agosto de 2008

Amazônia, grande riqueza do Brasil Abandonada, devastada, empobrecida (Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa)

Jornalista Helio Fernandes
"Poderosos do mundo querem a Amazônia".

Sua tenacidade na defesa da causa "Amazônia", que acredito, tenha abraçado desde sempre, é invejável.

Indago-me: por que nossas "autoridades", se mantêm tão indiferentes à importância da mesma, mas se mostram tão "mobilizadas" na defesa de tantas outras, "alienígenas".
Recentemente, de um palanque plantado na longínqua Amazônia colombiana, na cidade de Letícia, fronteira terrestre com nosso País, o presidente Lula participou de gigantesca comemoração pela data nacional do País amigo, com espetacular mobilização também contra a ação terrorista das FARC. O evento realizado em âmbito nacional foi acompanhado de manifestações semelhantes também na Espanha e na França.

Instado a falar de improviso, nosso guia bradou impávido um verso do Hino da Proclamação da República; "liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós".

Talvez os guerrilheiros seqüestradores atendam ao apelo e libertem os reféns indefesos, os únicos privados da mesma...

Enfim, um marketing sensacional, definindo bem a posição da Colômbia, política e geograficamente, no cenário mundial.

Outrossim, assistindo a outro espetacular show, este na capital alemã, durante a visita do candidato Obama, representante da maior potência mundial, odiada e criticada nos quatro cantos do mundo, perplexa, dialoguei com minha sombra.

O palco, a maravilhosa Berlim, renascida gloriosamente, não exibia o mais leve vestígio de mazelas recentes: a chaga do nazismo, o Holocausto, a cruel STASI da antiga RDA etc. O enfoque do discurso do candidato visou unicamente os anseios utópicos de toda a humanidade. No mínimo, foi uma peça de oratória genial, sem comprometimentos com o passado, visando tão-somente o futuro.

No Brasil, sem terrorismo político, em plena democracia, sob a égide da Liberdade completa, somos incapazes de nos unir e mobilizar em defesa de um tesouro inestimável, inconscientes que somos.

Encontro apenas uma resposta para esta deficiência, justamente a que abordei de outra feita: a baixíssima auto-estima, adubada pela importação diuturna de valores estranhos à nossa formação sócio-cultural-étnica, além da falta da Educação como valor primordial. Nosso hino nacional, só é lembrado, muito mal, diga-se de passagem, durante as Copas mundiais. Poucos das novas gerações conseguem cantá-lo inteiro, como se sabe.

Quem sabe seriam úteis alguns rudimentos da matéria "Moral e Cívica", outrora obrigatória nos currículos, hoje considerada "lixo autoritário"?
Magdala Domingues Costa
magivar@uol.com.br
Olho gordo na Amazônia

Prezado Jornalista Helio Fernandes;
Com referência a sua recente matéria do 29/07/2008, a qual parabenizo-lhe tanto essa como as demais, pois trata-se de uma fonte de informação concreta e serve também de ALERTA quando se trata da ganância externa pela exploração da NOSSA AMAZÔNIA. Não é de se admirar que aqueles senhores cosmopolitas das nações do "primeiro mundo" almejam ao controle sobre a iléia, afinal, por possuir uma biodiversidade de 6,6 milhões de km2 (que abrange nove países sul-americanos) e comporta quase todos os países da europa exceto a União Soviética; 1.200 espécies de aves, enquanto Estados Unidos e Canadá juntos só têm 700; mais de 2 mil qualidade de peixes e toda Europa, apenas 200. E assim se retrata todo esse mundo cuja maior parte inserida no território brasileiro é cobiçado pelo olho gordo estrangeiro, porém obstado por nós, eternos combatentes da terra brasilis...
Ricardo Camara
ricardo.camara@bol.com.br
Amazônia dos outros

Jornalista Helio Fernandes
Fico envergonhado de me dirigir publicamente aos leitores para revelar, confirmar e reconhecer: a Amazônia não é nossa. Geograficamente até pode ser, mas em todo o resto pertence ao mundo, que tem suas vistas voltadas para cá, e dizem abertamente que o Brasil não pode ser dono de todo esse pulmão do mundo. Destroem o meio ambiente na busca de mais lucros, e dizem que nós não temos capacidade para explorar a Amazônia. E agora não apenas envergonhado mas também revoltado, reconheço: não temos mesmo capacidade para transformar o Brasil em potência, apenas explorando a Amazônia.
Alvaro Campelo
alcampelox@com.br

PS - A grande preocupação do Brasil já foi o petróleo, agora é a Amazônia. No momento em que chegamos à condição de potência petrolífera, produzindo mais e com mais reservas do que a Arábia Saudita, todos os temores, preocupações e sustos, se transferem para a Amazônia.

Só que com o petróleo, dizia e decretavam: "NÃO HÁ PETRÓLEO NO BRASIL". Com a formidável campanha do PETRÓLEO É NOSSO e a obsessão da afirmação de que todos os países limítrofes do Brasil tinham petróleo, menos o Brasil, viramos o placar, hoje assombramos o mundo.
Agora temos que fazer o mesmo com a Amazônia, que corre dois riscos.

1 - A ação internacional-multinacional-globalizante quer toda aquela formidável região e sua espantosa riqueza.

2 - O inacreditável DESPREZO-DESINTERESSE-DESESPERANÇA dos próprios governos. Está na hora de uma campanha igual à do petróleo, até com a mesma motivação: "A AMAZÔNIA É NOSSA". No momento em que até a pesca recebeu um ministério, por que não criar o MINISTÉRIO DA AMAZÔNIA?

(Recebemos centenas e centenas de comunicações sobre a Amazônia, selecionamos os três acima. Outros órgãos de comunicação devem receber o mesmo, é o momento da INDEPENDÊNCIA, LIBERDADE, ENRIQUECIMENTO).